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domingo, 22 de dezembro de 2013

BOSTA

Fui incentivada a fazer uma postagem sobre a Merda. E se você acha que o tema já é estranho, você tem que ver o que eu achei! 

Essa lata foi vendida por 120.000 Euros! Mas porque essa bosta é tão cara?! É porque trata-se do trabalho “Merda d’Artista”: fezes de Manzoni enlatadas e vendidas a peso pelo equivalente. As obras foram um sucesso. 

As 90 latas de conservadas se espalharam por vários museus pelo mundo, incluindo os respeitáveis Tate de Londres, MoMa de New York e o Georges Pompidou de Paris. 
Nos rótulos das latas, podia-se ler: “Merda d’artista, numerata, firmata e conservata al naturale”. Alguns anos depois, algumas dessas latas explodiram, por conta de corrosão e da expansão dos gases.

No mínimo bizarro! Mas se você acha que ainda não é o suficiente a bizarrice, saiba que um famoso escritor fez um poema para a bosta. Já sabe quem é?  Surpreenda-se 



                                                           Merda e Ouro

Merda é veneno. 
No entanto, não há nada 
que seja mais bonito 
que uma bela cagada. 
Cagam ricos, cagam pobres, 
cagam reis e cagam fadas. 
Não há merda que se compare 
à bosta da pessoa amada.




                                                                                             Paulo Leminski 


sábado, 21 de dezembro de 2013

Drummond-se


DEZEMBRO


Quem me acode
à cabeça e ao coração
neste fim de ano,
entre alegria e dor?



Que sonho,
que mistério,
que oração?

Amor.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 19 de março de 2013

Presença, Presente.



É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te


Mario Quintana

quinta-feira, 14 de março de 2013

Infância








Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Espiritualidade

"Reconheça que existe um poder superior no universo, 
maior do que a pequena existência humana.
Plenitude.
Você se torna mais humilde.

Aproveite as oportunidades de colocar mais amor no mundo.
Plenitude.
Você se torna mais adorável.

Reserve alguns minutos do dia para refletir ou contemplar algo belo.
Plenitude.
Você se torna mais forte.

Seja mais receptiva.
Plenitude.
Você se torna mais graciosa.

Perdoe alguém que você não perdoaria.
Plenitude.
Você se torna mais generosa.

Reconheça seus erros.
Plenitude.
Você se torna mais responsável.

Tente enxergar o lado bom dos outros.
Plenitude.
Você se torna mais positiva.

Reflita sobre o seu modo de pensar e de agir.
Plenitude.
Você se torna mais centrada.

Abençoe o mundo!
Plenitude.
Você se torna uma bênção.

Dê o melhor de si em cada relação.
Plenitude.
Você se torna mais amorosa e próxima de Deus."

Deepak Chopra

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Gullar, Ferreira



bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome... seu nome era...
Perdeu-se na carne fria,
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas
constelações de alfabeto
noites escritas a giz
pastilhas de aniversário
domingos de futebol
enterros corsos comícios
roleta bilhar baralho
mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa
e de tempo: mas está comigo está
perdido comigo
teu nome
em alguma gaveta

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Elegia 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações no encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas de dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
 


                                                           



                                                                   Poema da obra Sentimentos do mundo de Carlos Drummond de Andrade